![Morada FM — O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode ampliar as exportações de Goiás, gerar empregos e abrir novas oportunidades para a indústria estadual. Ao mesmo tempo, o tratado deve aumentar a concorrência para alguns segmentos, especialmente o setor farmacêutico. As projeções constam em um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), apresentado na quinta-feira (29), durante a 3ª edição da Expoind, em Goiânia. De acordo com o levantamento, o estado poderá registrar até US$ 208 milhões por ano em exportações adicionais após a implementação integral das concessões comerciais. A entidade também estima a criação de […]](https://moradafm.com.br/wp-content/uploads/2026/10/image-32-750x430-1-300x172.webp)
O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia pode ampliar as exportações de Goiás, gerar empregos e abrir novas oportunidades para a indústria estadual. Ao mesmo tempo, o tratado deve aumentar a concorrência para alguns segmentos, especialmente o setor farmacêutico. As projeções constam em um estudo da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), apresentado na quinta-feira (29), durante a 3ª edição da Expoind, em Goiânia.
De acordo com o levantamento, o estado poderá registrar até US$ 208 milhões por ano em exportações adicionais após a implementação integral das concessões comerciais. A entidade também estima a criação de aproximadamente 24,2 mil empregos relacionados à expansão das vendas externas.
A União Europeia já representa um mercado importante para a economia goiana. Em 2025, o bloco recebeu US$ 1,68 bilhão em produtos exportados por Goiás, o equivalente a 12,5% das vendas internacionais do estado. Entre os principais itens comercializados estão farelo de soja, minério de cobre, ferroligas e carne bovina.
Segundo Saulo Nogueira, analista de desenvolvimento industrial da Fieg e participante da elaboração do estudo, os principais setores com potencial de crescimento são os ligados à agroindústria, especialmente carnes bovina e de frango, açúcar, etanol e couro.
A pesquisa aponta que seis produtos dos segmentos de carnes, açúcar e etanol concentram cerca de 95% do potencial adicional de exportação entre os 40 itens analisados. Juntos, eles podem representar um aumento anual entre US$ 61,7 milhões e US$ 82,2 milhões nas vendas ao mercado europeu.
A carne bovina congelada aparece com o maior potencial estimado, entre US$ 34,9 milhões e US$ 46,5 milhões adicionais por ano. Entretanto, há um obstáculo: desde setembro de 2026, a União Europeia suspendeu a importação de produtos brasileiros de origem animal, incluindo carnes, leite, ovos, mel e pescado, devido a regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção.
O acordo também prevê a redução de barreiras para a entrada de produtos europeus no Brasil. Nesse cenário, a Fieg estima que as importações goianas de mercadorias do bloco possam crescer US$ 21,4 milhões por ano. O estudo destaca que oito dos dez produtos com maior aumento previsto nas importações são medicamentos. A projeção acende um alerta para o polo farmacêutico de Anápolis, que poderá enfrentar concorrência direta de fabricantes europeus.
Além do agronegócio e dos medicamentos, o levantamento identifica oportunidades para segmentos como produtos químicos, máquinas industriais, componentes automotivos, alimentos processados, plásticos, eletrônicos, vestuário e calçados.
O estudo também ressalta que nem todas as etapas do acordo estão em vigor. O pilar comercial, chamado Acordo Provisório de Comércio, começou a ser aplicado em 1º de maio de 2026. Já outras partes do tratado, relacionadas a sustentabilidade, propriedade intelectual, investimentos e cooperação, dependem da conclusão de análises jurídicas na União Europeia. A redução de tarifas para determinados produtos será gradual e poderá se estender até 2036 ou 2038. Por isso, os valores projetados pela Fieg dependem da implementação das concessões previstas.
Outro ponto de atenção são as exigências ambientais europeias, que estabelecem critérios de rastreabilidade e comprovação de que determinados produtos não têm origem em áreas desmatadas após dezembro de 2020. O levantamento da Fieg indica, portanto, que o acordo pode abrir oportunidades para a economia goiana, mas também exigirá adaptação das empresas às novas condições de comércio e concorrência internacional.