
O crescimento da bancada do Partido Liberal (PL) e de senadores alinhados à direita após as eleições passou a gerar preocupação entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo apuração da analista de Política da CNN Jussara Soares. A avaliação ocorre diante da nova composição do Congresso Nacional, que poderá ampliar a pressão sobre a Corte a partir de 2027.
De acordo com a apuração apresentada por Jussara Soares no CNN Prime Time, a reação dos ministros ainda é discreta, mas integrantes do Supremo avaliam que será difícil impedir a tramitação de pedidos de impeachment contra ministros a partir do próximo ano.
Nesse cenário, segundo a jornalista, parte dos ministros estaria defendendo uma tentativa de diálogo com setores do bolsonarismo. A iniciativa ocorreria enquanto a Corte aguarda o resultado do segundo turno da eleição presidencial.
A apuração aponta, porém, que esse eventual diálogo teria limites. Segundo Jussara Soares, a permanência do ministro Alexandre de Moraes no STF seria uma das principais questões de conflito entre o novo Congresso e setores ligados ao bolsonarismo.
O ministro Flávio Dino também passou a ser citado entre os alvos de integrantes desse grupo político. As informações são apresentadas pela CNN como parte das avaliações e movimentações nos bastidores de Brasília.
Ainda segundo a apuração da CNN, interlocutores da campanha de Flávio Bolsonaro indicaram que o candidato não pretende conduzir um eventual governo com o mesmo nível de confronto institucional registrado durante a gestão de seu pai, Jair Bolsonaro.
A tentativa de aproximação entre a campanha e o Supremo já havia sido relatada pela própria Jussara Soares em setembro. Na ocasião, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, reuniu-se com o ministro Gilmar Mendes, decano do STF.
Segundo a CNN, o objetivo da conversa foi transmitir que as críticas a Alexandre de Moraes e a pressão por sua saída não representariam um ataque à instituição. Marinho teria informado que, em caso de vitória de Flávio, a intenção seria manter uma relação institucional e de harmonia entre os Poderes.
A reportagem publicada nesta terça-feira (6) acrescenta que Rogério Marinho também teria procurado o ministro Cristiano Zanin, levando mensagens sobre a disposição ao diálogo.
Apesar das movimentações relatadas, as informações sobre um eventual acordo entre integrantes do STF e setores do bolsonarismo permanecem no campo das articulações políticas e das apurações de bastidores. Não há, até o momento, confirmação pública de um acordo entre a Corte e a campanha de Flávio Bolsonaro.